Rodrigo, estava muito estressado. Tentava ser uma boa pessoa. Era bom marido, bom pai, e o melhor vendedor da loja de sapatos de São Hugo. Porém era extremamente cobrado, pela esposa, para fazer tarefas tradicionais de um pai de família que trabalhava fora, enquanto a esposa ficava em casa cuidando dos filhos. Era cobrado pelos filhos, por mais tempo, mais disposição, e mais brinquedos. Era cobrado pelos pais, para ser mais presente nos finais de semana, mais disposto a aceitar as ofertas de conselhos, mais disposto a tolerar parentes impertinentes. Ele era cobrado pelos patrões, para fazer além do que fazia no serviço. Mas Rodrigo, era um robô perfeccionista. Com TOCs e uma rotina padronizada, tanto no serviço quanto em casa, ele se irritava quando, por algum motivo, essa rotina era mudada. E com essas exigências de pessoas que ele amava tanto, Rodrigo, tinha que mudar essa rotina completamente. E isso deixava Rodrigo a beira dos nervos.
As mudanças psicológicas de Rodrigo estava afetando até sua aparência. Com cabelos sempre bem penteados, e uma pele bonita e saudável, por tentar manter uma alimentação balanceada e como tudo em sua vida com rotina. As camisas, sempre as mesmas, da mesma cor, que ele comprava regulamente.
Mas agora, Rodrigo estava ficando com olheiras, seu cabelo desalinhando, e as suas camisas repetidas sempre amassadas, bocejava o tempo inteiro e muitas vezes se distraia com os clientes.
Luciana, sua colega de trabalho, que percebeu que Rodrigo não estava bem.
Luciana, já estava chegando nos quarenta anos. Mas seu jeito doce e de princesinha, fazia com que parecesse ser uma menininha, estudante do primário do colegial. Até no seu jeito de ser. Preocupada com todos os seus colegas. Sempre trazia um lanchinho diferente para quem estava triste. E todos adoravam seu positivismo e sua felicidade. Sempre tinha uma palavra de conforto para todos.
Mas Rodrigo, por mais que Luciana tentasse ajudar, não conseguia. Já tentou conselhos, levar bolos e docinhos, e muito mais. Mas Rodrigo sempre estava cabisbaixo e triste. Até que Luciana resolveu contar para Rodrigo o segredo de sua sempre alegria, positivismo e calma, mesmo com tantos problemas a sua volta.
Luciana contou a Rodrigo que faz terapia, mas era uma terapia diferente do convencional. E o chamou para participar na noite de sexta-feira.
Rodrigo, foi estranhando, sexta-feira a noite, atrás de um prédio abandonado. E lá estava Luciana com seu sorriso de sempre o esperando. E várias pessoas chegando e entrando em uma fábrica abandonada, com uma entrada discreta.
- Que especie de terapia é essa Luciana?
- Calma Rodrigo. Você vai ver.
Eles entraram. E um homem, estranho e barbudo em cima de um palco começa a falar
- Quando a gente tá muito estressado com todos e todo mundo, inclusive as pessoas que amamos, o único caminho que temos é usar a violência. E para não usarmos essa violência com as pessoas que amamos, que criei essa terapia.
De repente entra junto no palco uma pessoa amordaçada, com venda nos olhos e as mãos amarradas para trás. O homem barbudo continua a falar tirando algo da calça:
- E existem pessoas que querem desistir da vida. E eu, o grande Guru Jáci, pensei comigo, porque não juntar as duas coisas. - O guru tira do cos. da calça uma arma e mira na pessoa.
Rodrigo se assusta:
- O que é isso, Luciana? Vamos embora daqui!
Luciana sorrindo se vira para Rodrigo com calma e fala:
- Calma, Rodrigo, é assim mesmo.
O guru continua a falar.
- Temos que extravasar essa violência que acumula na gente para não explodirmos com as pessoas que amamos. E qual melhor jeito de extravasar essa violência da forma mais alta que existe, assassinando alguém. Tudo lógico com a permissão da pessoa.
Rodrigo no meio da multidão vai para fugir falando:
- Luciana, com permissão coisa nenhuma. A pessoa tá amordaçada e amarrada. Claramente não quer participar disso.
- Alguns têm uma resistência de última hora.
O guru atira na pessoa, no meio do palco, despertando gritos de pessoas. Mas Rodrigo fica perturbado ao perceber que os gritos são de alegria e até aplausos.
- Vamos embora daqui Luciana. Não quero essa terapia.
- Quem é o próximo? - Pergunta o guru e passa a arma para Luciana no meio da multidão. - Quem não, se não a nossa paciente mais antiga, Luciana de Freitas.
Luciana olhando para Rodrigo com um sorriso bobo no rosto, sobe no palco e pega a arma do guro. Rodrigo fica em choque vendo sua colega com uma personalidade tão doce e amistosa pegando a arma e mirando em outra pessoa que entrava no palco, também amordaçada e amarrada.
- Meu Deus, Luciana! NÃO!
Ao ver Luciana atirando na pessoa, Rodrigo não aguenta mais e começa a se afastar da multidão e indo para as portas de saída. Mas assim que vai para passar pela porta, um segurança o segura pelo braço.
- Ei rapaz. Vimos você no video de segurança.
- Me solta cara! - Grita Rodrigo tentando se soltar.
- Você foi infelizmente reconhecido como um desertor. Você vem com a gente.
Rodrigo é imediatamente levado para uma porta atrás do palco. É amordaçado, e vendado. Suas mãos são amarradas. E pela venda ele só vê a luz do refletor e a voz do Guru falando:
- Mais uma pessoa que decidiu abandonar a vida de sofrimento. Quem vai ser o próximo para passar pela terapia.
Rodrigo sente o sangue dos outros candidatos escorrendo pelos seus sapatos.
- Lembrando que essas pessoas assassinadas se voluntariam para serem nossas vitimas.

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